Prefeitura de Campinas abre licitação para Wi-Fi em praças
Edital prevê 92 pontos públicos e exige manutenibilidade por cinco anos. Detalhe técnico pode evitar o destino de redes que viraram sucata.
Quando a prefeitura de Campinas publicou o edital de Wi-Fi em praças, em junho de 2026, a primeira coisa que chama atenção não é o número de pontos (92), nem o prazo (cinco anos). É uma cláusula técnica que costuma faltar em editais do gênero: a exigência de manutenibilidade. Em linguagem simples, a empresa que ganhar tem que provar que consegue manter a rede funcionando, com técnico no local em prazo definido. Parece básico. Mas a história de Wi-Fi público no Brasil é cheia de rede instalada e abandonada.
O que o edital pede
O edital prevê 92 pontos de acesso, distribuídos em praças, parques e equipamentos públicos. Cada ponto deve entregar ao menos 100 Mbps compartilhados, com filtro de conteúdo adequado a espaço público e portal de acesso com termo de uso. A novidade está no anexo técnico: a contratada precisa apresentar plano de manutenção com tempo máximo de resposta de 24 horas para falha em ponto ativo.
Isso resolve um problema crônico. Em cidades onde a cláusula não existe, a empresa instala e some. Quando o ponto quebra, ninguém conserta — e em dois anos o que era Wi-Fi vira sucata no poste. Campinas aprendeu com o próprio passado: a rede anterior, instalada em 2019, tinha menos de 40% dos pontos ativos em 2024.
Os detalhes que vão decidir a licitação
Dois detalhes técnicos vão decidir quem ganha. O primeiro é o backhaul: como cada ponto de acesso se conecta ao backbone. Os pontos que dependerem de 4G próprio vão patinar em horário de pico; os que tiverem fibra de volta vão entregar o que prometem. O segundo é a energia: em praça, falta de tomada estável é a causa mais comum de queda.
O edital exige solução de energia para cada ponto — o que é avanço. Mas não especifica como. Quem apresentar projeto com energia solar pequena, baixa manutenção, leva vantagem técnica sobre quem depender de extensão de rede elétrica, mais sujeita a falha.
A lição para outras cidades
O edital de Campinas pode virar referência para outras prefeituras. A lição é simples: não basta pedir Wi-Fi. É preciso pedir rede que continua funcionando. Sem cláusula de manutenção, sem exigência de backhaul e sem solução de energia, a praça recebe placa bonita e internet que dura dois anos.
O Nodo vai acompanhar a licitação até a homologação. Quando o contrato sair, publicamos a análise técnica do vencedor. Se você é técnico de prefeitura e quer comparar edital, escreva para [email protected].